Dependência química: em busca de soluções
05/09/2012
crack

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad), o Brasil é o maior mercado mundial no consumo de crack (representando 20% no cenário global) droga letal e com altíssimos índices de dependência. O município do Rio de Janeiro, especificamente, encontra uma situação dramática no que diz respeito ao consumo dessa e outras drogas, principalmente nos bairros localizados nas zonas norte e oeste da cidade.

São dezenas de cracolândias espalhadas pelo Rio. Muitas delas escancaradamente visíveis a quem quer que esteja passando pela região. Inúmeros casos de adultos, jovens e crianças criando raízes em um vício sem volta, endividando-se para bancar a comprar e, muitas vezes, furtando para trocar itens pela droga.

A maioria dos dependentes não possui renda que lhe permita usufruir de uma tentativa de reestruturação psicossocial e reintegração com a sociedade. Enquanto isso, esses dependentes continuam lá. Alheios. Excluídos. Esquecidos.

Algumas das formas de tratamento utilizadas atualmente são ineficazes. Colocar um indivíduo dentro de 4 paredes a base de medicamentos num hospital não resolve. O dependente não tem seu psicológico trabalhado para afastar esse fantasma da sua vida.

Onde o governo entra nesse contexto? Como pode solucionar esse problema tão presente em nossa cidade, em nosso bairro, ali pertinho da nossa rua? Além do combate aos pontos intitulados cracolândia, uma medida importantíssima é o investimento em centros de apoio e recuperação de dependentes químicos. É preciso fazer com que esses centros sejam numerosos e acessíveis a quem não tem recursos.

Em São Vicente, cidade localizada no litoral paulista, merece destaque um centro de tratamento e recuperação de dependentes de drogas chamado CACTOS. Trata-se de um projeto que vive de doações e, mesmo sem o apoio governamental, o serviço é prestado gratuitamente e a reabilitação de cada indivíduo é uma vitória.

O CACTOS trabalha em cima de três vertentes: a produtividade, a disciplina e o aprendizado. O indivíduo produz o dia todo: faz o próprio pão, participa do processo de plantio e colheita dos alimentos, cuida dos animais e das dependências do local. Ocupa sua mente o dia inteiro com atividades regradas com horários específicos. Aprende a cozinhar, a limpar, a confeccionar uma série de itens. E tudo isso de forma livre: as portas são abertas para a saída, mas a grande maioria escolhe permanecer lá dentro pois percebe que é possível resgatar a própria vida, voltando a ser útil e passando a conviver em uma ambiente saudável, com disciplina.

Com base nesse exemplo, é necessário criar recursos semelhantes no Rio de Janeiro. É preciso tornar esse um serviço de qualidade. E, acima de tudo, é imprescindível assegurar que tal serviço seja gratuito e acessível ao maior número possível de dependentes.

Como vereador, irei propor a criação de projetos de lei que permitam a viabilidade de centros como o CACTOS através de subsídio por parte da prefeitura: injetando verba para contratar equipes qualificadas de psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e médicos, além de toda a infraestrutura necessária e profissionais de coordenação.

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