Soluções de transporte para o Rio: metrô x BRT
24/09/2012
BRT x METRÔ

O Rio de Janeiro alimenta um dos mais problemáticos e superlotados sistemas de transporte do Brasil. Tratando-se especificamente do transporte público, as soluções são poucas e insuficientes para o enorme fluxo de passageiros. As consequências são visíveis e todo mundo sente na pele: engarrafamentos que beiram o absurdo, metrôs superlotados, ônibus que demoram a passar…

Para contornar a situação dos engarrafamentos e reduzir o tempo de transporte, costuma-se atribuir ao metrô o título de solução-para-todos-os-problemas. A partir daí, investimentos pesados são feitos (ou pelo menos deveriam ser feitos) nesse sistema, importando vagões, reformando trilhos e estações. Entretanto, deve-se pensar mais criticamente sobre o assunto antes de alimentar isso como uma verdade absoluta.

As funções de um sistema nos moldes do metrô cabe em uma situação de necessidade de transporte de um número muito grande de pessoas numa distância não muito extensa. O nosso atual sistema metroviário foi estudado para essa finalidade: uma massa numerosa concentrada em um trecho limitado da cidade. Mas quando é preciso implantar um sistema de transporte rápido que abranja uma extensão maior (como no caso Barra da Tijuca – Santa Cruz), com quantidade menor de passageiros, a solução mais viável não está mais nos subsolos, vagões e trilhos.

Pensando numa solução mais barata e eficiente para esse caso específico, o arquiteto e ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, criou o que chamamos aqui no Rio de BRT (Bus Rapid Transit). Este sistema tem como ponto de partida todos os aspectos que fazem do metrô um razoável sucesso: trecho exclusivo, pagamento adiantado da passagem, sistema de ar-condicionado, estações próprias para embarque e desembarque de passageiros etc.

Em uma comparação de custos, estima-se que a construção de uma rede BRT seja em 1/6 da do metrô. Em outras palavras, com a mesma aplicação financeira, cobre-se 1km de metrô e 6km de BRT. Os dados são da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e estimam que construir um quilômetro de metrô custa, atualmente, entre 80 e 90 milhões de dólares, enquanto o mesmo quilômetro de BRT custa entre 7 e 15 milhões.

Além do custo reduzido para a construção da rede, há outro fator que faz do BRT uma solução mais viável ao nosso transporte: o tempo necessário para a construção das estações e pistas. Como não há a necessidade de atingir o subsolo e construir pistas novas, o BRT é feito e disponibilizado para uso da população em muito pouco tempo. Um exemplo disso é a linha feita entre a Alvorada (Barra da Tijuca) e Santa Cruz. Todo o processo durou cerca de dois anos. Em contrapartida, as linhas de metrô demoraram mais de 10 anos para se tornarem realidade de uso público.

Nenhum comentário foi publicado até o momento

Deixe seu comentários

Receba Atualização
  • * = campo obrigatório

    powered by MailChimp!